Eu queria expulsar de meu corpo o teu cheiro depois daquela
transa descompassada que me rendeu uma enorme revolta comigo mesmo. A prioridade
de saciar o corpo tomou o lugar do restante das coisas que formaram a nossa
relação. Alguns minutos bastaram para que seu perfume descesse pelo ralo, mas
nem mesmo se eu passasse horas a fio debaixo do chuveiro não eliminaria de mim
aquela ressaca moral de saber que em você não há mais aquela cumplicidade. Saudades
das palavras gentis e do tempo em que o que mais importava era o nosso bem
estar, o dialogo e a inocência do começo do relacionamento. Eu cultivei em você
as mais variadas sementes do amor e da sinceridade na esperança de ver nascerem
as mais belas plantas que iriam enfeitar o nosso jardim. Até que conseguir ver
brotar algumas mudinhas pequeninas, mas o calor intenso da tua luxúria rachou a
terra, secou as folhas e impediu o crescimento. Não menti em momento algum para
você. Fui leal aos meus sentimentos e soube expressá-los no momento adequado.
Pouco tempo foi suficiente para que eu percebesse que nossas visões de convivência
e prioridades são ultra mega diferentes. Seguir caminhos diferentes seria o
melhor rumo que poderíamos tomar neste momento em que o desdém tomou conta de
tudo. Estou aceitando a idéia de que
nossa história já deu o que tinha que dar. Vou ter lembranças especiais de
você, sabe? Vou lembrar-me de quão eufórico eu fiquei ao te conhecer e de como
eu acreditei que meus ideais de amor iriam se concretizar. Que nestes
novos horizontes que vamos trilhar haja espaço para novas pessoas. Que estas
que surgirão saibam nos compreender, respeitar e principalmente oferecer-nos o
melhor e o desejado. Sempre...

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