sábado, 5 de outubro de 2013

A Despedida.


Para Eloisa.
               
            "Eu vou ser breve contigo. Minhas palavras sairão como um suspiro, para que eu não me arrependa de proferi-las. Meu lado meigo não será posto nestas linhas, pois este você fez questão de não dar o devido valor. Inspirarei-me nos espinhos que, quando tomados de forma errada, machucam e fazem sangrar, pois é assim que me sinto. Nossa relação foi breve, mas intensa. No começo, plantávamos e colhíamos rosas todos os dias. Vermelhas, vivas. Não tínhamos tempo para meio termo, tudo era preto no branco. E eu me orgulhava por sentir algo tão bonito por você. Os dias foram passando e nossa relação a cada dia crescia mais, como uma semente brotada na terra que expelia forças para sair do chão. Aquele dia dos namorados será memorável, sabe? Nunca havia ganhado anel tão bonito que combinasse comigo. E a carta... Ah! A carta, li e reli mais vezes que os dedos pudessem contar. Mas o tempo foi me mostrando o outro lado da moeda; sua face oculta, aquela que você forçava a me esconder, foi aparecendo lentamente, e eu não gostei do que vi. Explosiva que sou, não medi esforços para recuperar aquele lado em você que me encantou, mas foi tudo em vão. Você tão mesquinho com este lado canalha que tanto me enlouquecia quanto encantava... Foi pouco a pouco deixando secar o jardim do afeto que havíamos plantado. Hoje, saber que você se encantou por outro perfume qualquer não me faz nada bem. Mas não vou ceder. Pegue este anel, os pedaços desta carta que rasguei na tentativa de apagar o que sinto e saia de mim! Devolva o pedaço do meu coração que ainda esta contigo. Esta é a nossa despedida. E saiba que neste jardim você não será mais bem vindo. Adeus."

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