Para Eloisa.
"Eu vou ser breve contigo. Minhas palavras
sairão como um suspiro, para que eu não me arrependa de proferi-las. Meu lado meigo
não será posto nestas linhas, pois este você fez questão de não dar o devido
valor. Inspirarei-me nos espinhos que, quando tomados de forma errada, machucam
e fazem sangrar, pois é assim que me sinto. Nossa relação foi breve, mas
intensa. No começo, plantávamos e colhíamos rosas todos os dias. Vermelhas,
vivas. Não tínhamos tempo para meio termo, tudo era preto no branco. E eu me
orgulhava por sentir algo tão bonito por você. Os dias foram passando e nossa
relação a cada dia crescia mais, como uma semente brotada na terra que expelia
forças para sair do chão. Aquele dia dos namorados será memorável, sabe? Nunca havia
ganhado anel tão bonito que combinasse comigo. E a carta... Ah! A carta, li e
reli mais vezes que os dedos pudessem contar. Mas o tempo foi me mostrando o
outro lado da moeda; sua face oculta, aquela que você forçava a me esconder,
foi aparecendo lentamente, e eu não gostei do que vi. Explosiva que sou, não medi
esforços para recuperar aquele lado em você que me encantou, mas foi tudo em
vão. Você tão mesquinho com este lado canalha que tanto me enlouquecia quanto
encantava... Foi pouco a pouco deixando secar o jardim do afeto que havíamos plantado.
Hoje, saber que você se encantou por outro perfume qualquer não me faz nada
bem. Mas não vou ceder. Pegue este anel, os pedaços desta carta que rasguei na
tentativa de apagar o que sinto e saia de mim! Devolva o pedaço do meu coração
que ainda esta contigo. Esta é a nossa despedida. E saiba que neste jardim você
não será mais bem vindo. Adeus."

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