E foi naquele cruzamento de uma rua movimentada, depois de um
jantar maravilhoso regado a boas palavras, que ao olhar para o lado vi a pessoa
que me fez despertar os mais variados sentimentos. Olhando pela janela do carro
vi o passado não tão distante que contribuiu para a transação que resultou no
que sou hoje. Você com todos aqueles pré-requintes e façanhas para que eu te
conquistasse me mostraram que o coração às vezes dá uma de cego, sabe? Não vê
que aquela desculpa não foi tão boa para não ter atendido a minha ligação ou
até mesmo não ter sacado a tempo que aquela enrolação já estava durando muito
tempo. De repente o coração passa de coadjuvante para bobo da corte. Foi assim
que aprendi que nessa vida o meu sentimento nem sempre valerá de muita coisa. Mas
foi bom ter te conhecido, se apaixonado, quebrado a cara e principalmente se
levantado para começar tudo novamente, com outra pessoa, claro. E foi naquele
cruzamento, olhando pela janela do carro, vendo em você todo aquele ar de
prepotência que sempre caminhou junto de sua vaidade, percebi que valeu a pena
ter essa certa experiência contigo, pois do meu outro lado, no mesmo carro que
eu (de mão dada a minha) estava a pessoa que tão bem me têm feito. Que a cada
dia vai me mostrando que se pode falar o que se sente, que sentimentos não são
bobagens e que tudo, mas tudo que o coração mandar você fazer, pode crer, vale
a pena.

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